Educação de Infancia

Psicologia Infantil


O ciúme entre irmãos

Dez 12, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Pais, Psicologia Infantil

O nascimento de um bebé causa um forte impacto no irmão primogénito, que tem de aprender a partilhar a atenção dos pais, da qual, até então, usufruía com exclusividade. É importante que os pais identifiquem precocemente o problema e actuem de forma a dar à criança a segurança afectiva que ela precisa. A integração da criança nos preparativos e nas rotinas do recém-nascido é um meio mais eficaz de reprimir o ciúme, já que ela se sente importante e necessária nessas tarefas.

Já em 1920, Freud sublinhava que “não há provavelmente nenhuma casa sem conflitos violentos entre os seus habitantes mais pequenos, seja pela rivalidade, pelo amor dos pais, competição por objectos comuns, ou mesmo pelo espaço físico do lugar que ocupam”.

Entre os 2 e os 6 anos, as relações com os irmãos constituem, mais do que em qualquer outra idade, a parte mais importante do meio social da criança. É nestas idades que geralmente nasce um irmão, um momento muito importante na vida de uma criança e que altera todo o seu pequeno universo. O ciúme é uma reacção normal ao afastamento provocado pela chegada inexplicável de um “intruso”, pois este passará a compartilhar com a criança o amor e a atenção dos pais

A reacção da criança vai depender da sua idade aquando o nascimento do irmão;
• 18-24 meses – a criança tem muita dificuldade em compreender e aceitar a chegada de um irmão, pois está a viver uma fase em que descobre o medo da separação da mãe e, mais tarde, a crise de oposição e do negativismo sistemático

• 3 anos – a adaptação também pode ser difícil pois pode coincidir com a entrada no jardim-de-infância e as reacções negativas à presença do irmão podem ser confundidas com a má adaptação escolar.

• 4-5 anos – a adaptação à chegada de um irmão é mais fácil pois a criança compreende o que se está a passar à sua volta e já é capaz de tomar conta de si

• > 6 anos – a chegada de um irmão habitualmente é encarada de forma positiva, assumindo mesmo o papel de irmão mais velho

O modo como a criança manifesta e exterioriza o ciúme é muito variável, dependendo da idade da criança e das reacções dos pais. O comportamento regressivo é a forma mais comum e caracteriza-se pela retoma de comportamentos que já tinham sido abandonados, como a regressão na linguagem, voltar a querer o biberão/chupeta, enurese nocturna, entre outras. No entanto, a exigência constante de atenção, ou pelo contrário, mau comportamento sistemático para chamar a si as atenções, pode ser um modo de manifestação

A criança pode até ter atitudes de hostilidade dirigidas ao irmão ou à mãe. Uma outra forma de reagir é a atenção e preocupação constantes com o irmão, rodeando a mãe e o bebé de cuidados excessivos, com o desejo de agradar e recuperar o “amor perdido” da mãe. É nesta altura que a criança se questiona constantemente sobre: “Se os meus pais me amam, porque querem outro filho?”, “Vou continuar a ser admirado?”, “Será que vão continuar a gostar de mim?”.

O ciúme revela-se do irmão mais velho pelo mais novo, pois é o irmão mais velho o único que conheceu uma realidade em que o irmão não estava presente e tem a perder com a sua chegada. O mais novo sempre viveu na presença do mais velho e geralmente tem sentimentos positivos tendo-o como objecto de imitação e mentalmente identificando-se com ele.

Tal não se passa com gémeos, pois como nasceram ao mesmo tempo, não conhecem a vida um sem o outro. Habitualmente têm o mesmo desenvolvimento, não apresentando diferenças significativas ao nível da força física, mental ou experiência adquirida. Nesta situação em particular, em regra, o ciúme não existe pois os pais geralmente adoptam um comportamento semelhante para os dois.

A atitude dos pais é determinante, pois o modo como tratam cada filho poderá estar na origem das relações conflituosas – a base de toda esta rivalidade/hostilidade assenta no desejo de a criança ter o amor dos pais
À medida que o tempo vai passando e o irmão mais novo cresce, o mais velho assume o papel de “irmão mais velho”. É nesta altura que a atitude dos pais é fundamental, pois, se demonstrarem compreensão e atitudes positivas, a criança supera o ciúme inicial, caso contrário, pode gerar-se um ciclo vicioso e “traumatizante” para a criança

Para se estabelecerem relações adequadas entre irmãos e para prevenir o ciúme entre eles, há algumas recomendações a ter em conta:

1) A criança deve contar com mais do que um adulto para lhe proporcionar a segurança e atenção desejáveis (mãe e pai), de forma a tornar-se mais fácil superar o ciúme e não se sentir abandonada com a chegada do irmão

2) Deve evitar-se que o nascimento de um irmão coincida com outras mudanças importantes na vida da criança (por exemplo, a entrada no infantário). Após o nascimento do bebé, não se deve reduzir a quantidade, nem a qualidade da atenção, que a mãe e o pai dispensam à criança mais velha, tentando manter a rotina anterior ao nascimento do irmão

3) Ajudar o irmão mais velho a assumir o novo papel, ressalvando a sua importância, e prevenindo o ciúme que aparece com frequência quando a mãe ou o pai estão absorvidos no cuidado do bebé. Convém estimular a sua participação nesses cuidados, de forma que o filho se sinta importante e prestável.

4) Evitar comparações, bem como a distribuição de papéis entre irmãos. Os pais devem colocar em evidência os progressos de cada criança e as suas qualidades em diferentes áreas, sobretudo nas actividades que constituem as suas especializações, e sempre tomando a própria criança como referência. Pretende-se com isto valorizar o seu progresso em determinada situação, aumentando a sua auto-estima

O amor de uma criança pelos seus pais é extremamente intenso e incondicional, portanto, há o desejo da exclusividade. O sentimento de ciúme deve ser encarado de forma natural. É próprio do ser humano… Se os pais fizerem um esforço contínuo para ajudar os seus filhos nas suas angústias, as crianças terão oportunidade de aprender, a cada dia, a adaptar-se às novidades e a abrir mão do egocentrismo próprio da primeira infância

É muito importante que os pais estejam em sintonia com os sentimentos das crianças e as ajudar a manifestar-se.

Sandra Costa, com a colaboração de Iris Maia, Pediatra do Hospital de São Marcos de Braga

Desenvolver a auto-estima nas crianças

Nov 13, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

O que uma criança pensa de si própria depende, em grande medida, do que as pessoas pensam dela.

É importante ensinar à criança que ela sabe fazer coisas bem, e que pode ter mais dificuldades com outras coisas. É normal e que dela esperamos que faça o melhor que puder.

É bom admitirmos que erramos, que falhamos, pois, a criança necessita de saber que nada é infalivél, que nós por vezes também nos enganamos, também erramos. Ela precisa saber que também nós não somos perfeitos : “Sinto muito. Não devia ter gritado contigo, errei e peço desculpa.”

É importante elogiá-la e incentivá-la quando procura fazer alguma coisa, fazendo-a perceber que tem direito de sentir que é “importante”, que “pode aprender”, que “consegue” e que temos respeito por ela e que lhe desejamos o melhor.  Podemos até aplaudir as suas conquistas.

Assim, deve-se procurar estabelecer metas realistas e adequadas à idade da criança. Dar oportunidade de desenvolver-se sem super protegê-la ou sem pressioná-la. É importante que a criança viva longe de pressões.

È preciso evitar os  rótulos que se costumam dar às crianças, sobretudo porque são muito difíceis de retirar. Se desde que começa a entender as coisas – muito antes do que se costuma pensar – a criança se identifica com certos apelidos como burro, preguiçoso, etc., irá crescer acreditando que é assim.

É importante que…

1 – Mesmo que tenha pouco tempo, quando a estiver a ouvir, escute mesmo. Porque ele preceberá.

2 – Deixe-as expressar sentimentos, mesmo negativos. Evite o discurso: “Não se chora”, “Isso não é nada”, “Tem coragem”. Deixa-a falar.

3 – Sempre que for possível, deixe que elas tomem as próprias decisões.

4 – Trate-as com respeito. Respeite o seus espaço, diga-lhes se faz favor e obrigado.

5- Dê mais valor ao esforço que faz do que ao rendimento que obtêm.

6 – Procurar empatia com as crianças. Quanto melhor as entendermos, menos paciência será necessária para lidar com elas, pois estaremos a perceber o seu ponto de vista.

7 - Quando as crianças chegam da escola, e lhes perguntamos como correu o dia, tendem a responder com algum episódio negativo. Experimente perguntar-lhe: “Fala-me das coisas mais giras que aconteceram hoje .”

8 - Tentar manter o respeito pela personalidade da criança, e avaliar periodicamente se as expectativas depositadas nela são justas, razoáveis e equilibradas. Será de grande ajuda.

9 - Peça a sua opinião em temas diários de pouca importância, como onde ir passear, que actividade realizar, etc. Tal faz a criança sentir-se importante, auto-valorizar-se e respeitar-se a si própria.

Mais incentivos

Nov 3, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

Depois de ontem ter colocado os incentivos que tinha comigo, uma colega, a Maria, mandou-me um e-mail a dizer que haviam mais destes e que os gostava de partilhar com todos.

Aqui fica a maravilhosa partilha da Maria:

Não se esquecam, incentivem os vossos meninos, desta ou de outra forma, o que importa é incentivar!

Muito obrigada Maria!

Incentivos

Nov 2, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

Todos nós sabemos o valor e a importância dos reforços possitivos, dos incentivos. Por isso, hoje a minha partilha são incentivos, para partiharem com os vossos pequeninos, para que eles crescam com uma melhor auto-estima, felizes pelo seu valor, e valorizados por as figuras que para eles são exemplos.

Verbalize os incentivos, pois, muitos deles ainda não os sabem ler, e mostre aos pais e a todos os que entram na sala.

É apenas uma ideia para aumentar a auto-estima dos nossos meninos, nunca deverá ser a única.

O que é a enurese?

Set 27, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Pais, Psicologia Infantil, Saúde Infantil

 

Enurese é a emissão activa completa e não controlada de urina após a idade da maturidade fisiológica, que acontece, em geral entre os 3 e os 4 anos. Para isso, é necessário que esse comportamento ocorra várias vezes.
Primeiro é necessário saber se é de origem orgânica, após ter sido feito o despiste e informado o seu médico de família ou pediatra,e se não houver qualquer problema, podem dar-se duas situações:

Ou a criança sempre fez chichi na cama ou na roupa e não aprendeu a controlar a bexiga, nem está habituada a fazê-lo (enurese primária), o que pode ser facilmente ultrapassável com a ajuda adequada;

Ou a criança já foi capaz de controlar a sua bexiga e agora já não controla e faz chichi na cama (enurese secundária). Neste caso, pode estar em causa aspectos como: ter tido um irmão à pouco tempo, problemas familiares, afastamento temporário de um dos pais, educação muito rígida, problemas no Jardim-de-Infância ou na escola, mudança recente de casa, entre outras.

É importante que os pais tenham em mente que não se faz chichi na cama de propósito. E pode ser uma situação muito angustiante e humilhante para a criança, podendo sentir-se culpada, envergonhada e triste.

É também importante referir que esta situação é transitória e que se irá resolver, podendo demorar mais tempo em alguns casos que outros.

Mas existem, algumas estratégias que os pais podem utilizarr para ajudar a criança a deixar de fazer chichi na cama.

Não volte a colocar fraldas na criança, o uso de fralda, apenas servirá para que a criança não sinta necessidade de aprender a controlar a bexiga.

Coloque um resguardo de plástico na cama, entre os lençóis e o colchão. Com esta atitude,  a criança sente-se mais descansado.  Diga ao seu filho para não ficar preocupado se fizer chichi, porque o plástico não vai deixar molhar a cama.

Reduza a quantidade de líquidos (leite, água, sumos) que a criança ingere durante as duas últimas horas antes de deitar. Explique ao seu filho que está a fazer isso para que ele tenha menos vontade de fazer chichi à noite .

Certifique-se que a criança faz sempre chichi no bacio ou na casa-de-banho antes de ir para a cama.

Se notar que a criança costuma fazer chichi na cama a uma certa hora da noite, acorde-a meia hora antes e diga-lhe para ir à casa de banho. Tente mesmo que ela acorde, em vez de fazer chichi a dormir.

Evite que a criança tenha uma actividade muito excitante antes de se deitar.

A criança deve dormir com uma roupa que ela saiba despir, sem muita dificuldade. Se for necessário, coloque uma luz de presença no quarto e um bacio perto dela.

Evite dizer à criança expressões como: “Quando fazes chichi na cama eu não gosto de ti”, “és feia”, “és má”, “és uma porcalhona”, “as meninas grandes já não fazem chichi na cama, és um bébé”. Este tipo de expressões só vai contribuir para que a criança se sinta ainda pior.

Fale com a criança para tentar preceber se tem algum medo, alguma preocução, etc, sempre com muito cuidado para não a magoar. Dê menos importância à cama molhada e mais às preocupações do seu filho.

Elogie-a sempre pelos sucessos que vai conseguindo, quando se consegue levantar durante a noite para fazer chichi ou cumprir alguma destas indicações. Diga coisas como “muito bem”, “eu sei que tu és capaz”, “vês como consegues aprender!”, “estou orgulhosa de ti”, “parabéns”.

Não comente estes acontecimentos com pessoas estranhas, pois, assim não o está a ajudar mas a deixá-lo mais envergonhado e ansioso.


O Afecto na Infância

Set 6, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

Devido a um processo que dá pelo nome de “amnésia infantil” e que ocorre até por volta dos três anos, grande parte das pessoas têm poucas ou nenhumas memórias até esta idade. Isto acontece porque até ao final do terceiro ano as crianças não desenvolvem memórias a longo prazo.

A maior parte das vezes, as “memórias” que chegam até à idade adulta são inconscientes e ligam-se às sensações de prazer e desprazer vividas. Quando um bebé ao colo, vê a mãe e o pai rirem-se para ele e sente esse afecto, ele sente-se absolutamente feliz. Absolutamente feliz mas sem fazer a mínima ideia, que nada mais na sua vida terá um impacto tão grande como esse momento; nenhum outro momento o acompanhará de um modo tão presente por toda a sua vida.

O modo como nos sentimos amados desde esse início, definirá quem somos, o quanto gostamos de nós e o quanto somos capazes de gostar dos outros. Por este motivo, tudo aquilo que uma criança precisa, é em primeiro lugar de sentir amada e em segundo lugar de sentir que alguém impõe limites à sua vontade e o faz sentir-se seguro – quem permite a uma criança fazer tudo, desiste; e desistir de uma criança não é amá-la.

Para além disto, “as crianças só precisam mesmo que lhes asseguremos que as coisas boas predominam sobre as más, e que serão felizes para sempre…” (Nuno Colaço).


 

 

Por tudo isto e muito mais, temos que mimar muito as nossas “estrelinhas”, para que elas possam brilhar sempre muito.

A agressividade nas crianças

Set 3, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

Uma dificuldade comum à generalidade dos pais, prende-se com a forma como lidar com a agressividade dos seus filhos. É necessário aceitar que, bem doseada, a agressividade é natural e até essencial para a criança poder brincar com as suas fantasias agressivas, de forma a poder desenvolver a consciência da diferença entre a brincadeira e a verdadeira violência. Apesar de não existirem “soluções milagrosas” para lidar com a agressividade duma criança, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia:
– Quando existe uma agressão por parte da criança, deve-se perguntar sempre o motivo de tal gesto. Mesmo que a criança não responda, obriga-a a pensar. Faze-la pedir desculpa à agredida.
– Procurar o diálogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz diz mais do que as palavras. Procurar ouvir a criança.
– Impor limites claros. Quando for necessário, dizer não, mas tentar sempre dar uma explicação. – Não ter receio em impor a autoridade.
– Não bater nas crianças (devem ser os adultos a dar o exemplo).
– Manter a expectativa de comportamentos adequados e reforçá-los positivamente quando manifestados.

Normalmente, a agressividade não está a expressar raiva, mas sim outros sentimentos como insegurança, mágoa, etc. É necessário ter em atenção o aumento da agressividade de uma criança, procurando compreender as causas por detrás desse comportamento.

 


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