Educao de Infancia

Setembro, 2008


A agressividade nas crianas

Set 3, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil

Uma dificuldade comum generalidade dos pais, prende-se com a forma como lidar com a agressividade dos seus filhos. necessrio aceitar que, bem doseada, a agressividade natural e at essencial para a criana poder brincar com as suas fantasias agressivas, de forma a poder desenvolver a conscincia da diferena entre a brincadeira e a verdadeira violncia. Apesar de no existirem “solues milagrosas” para lidar com a agressividade duma criana, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia:
– Quando existe uma agresso por parte da criana, deve-se perguntar sempre o motivo de tal gesto. Mesmo que a criana no responda, obriga-a a pensar. Faze-la pedir desculpa agredida.
– Procurar o dilogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz diz mais do que as palavras. Procurar ouvir a criana.
– Impor limites claros. Quando for necessrio, dizer no, mas tentar sempre dar uma explicao. – No ter receio em impor a autoridade.
– No bater nas crianas (devem ser os adultos a dar o exemplo).
– Manter a expectativa de comportamentos adequados e refor-los positivamente quando manifestados.

Normalmente, a agressividade no est a expressar raiva, mas sim outros sentimentos como insegurana, mgoa, etc. necessrio ter em ateno o aumento da agressividade de uma criana, procurando compreender as causas por detrs desse comportamento.

Ser educador nos dias de hoje

Set 2, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Educao de Infncia

Os nossos meninos no so os de antes…

Trocaram os brinquedos de madeira pelos sofisticados

brinquedos de luz e som, que s com o simples toque numa

tecla fazem aparecer o mundo fantstico da electrnica.

As educadoras no as de antes…

Fotocopiam, ampliam, colam papis de texturas maravilhosas,

e reconstroem pegadas de animais pr-histricos s com o

simples acto de misturar gua e gesso…

Mas h coisas que no mudam, que o tempo e os anos

respeitam… O olhar de uma criana de mo dada com o/a

seu/sua educador(a) e o contacto silencioso, caloroso,

so sinais entranhados de um cdigo nico,

de um sentimento profundo de amizade.

Uma criana e o/a seu/sua educador(a)…so capazes de tudo.

Podem passar horas juntos escutando cantigas, resolvendo

problemas com caricas e pauzinhos ou simplesmente a brincar

com a imaginao. Podem fazer as maiores invenes e tentar

salvar o mundo plantando uma rvore.

No so as crianas de antes…

As educadoras e os educadores no so os de antes…

O mundo no o de antes..

Mas h coisas que no mudam, a capacidade de

desumbramento, a fora da natureza, o olhar de uma

criana e o carinho de um(a) educador(a)

que se entrega se condies, dia-a-dia,

qu sonham e trabalham juntos por um mundo

melhor, com um cdigo nico, eterno, poderoso,

indestruvel: o de uma profunda amizade.

O medo na criana

Set 1, 2008 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Psicologia Infantil, Sade Infantil

O medo uma emoo bsica, que coloca o nosso organismo em sobre-alerta e o prepara para fugir e/ou defender-se perante a percepo de perigo. A generalidade das crianas passar por algum sintoma de medo durante a sua infncia, em especial as raparigas que, no entanto, tm uma maior facilidade em ultrapass-lo. Esta maior facilidade estar, provavelmente, ligada a uma maior capacidade em exteriorizar sentimentos e emoes que, em consonncia com a ajuda dos pais, lhes possibilita uma melhor compreenso dos seus sentimentos, e leva a uma procura mais eficaz de estratgias para lidar com os mesmos.

Desta forma, ao falarmos de medos, devemos encar-los enquanto emoo saudvel, com uma funo adaptativa: alertar para os perigos que rodeiam.

Os medos esto ligados a etapas especficas do desenvolvimento. Apesar de serem tarefas desenvolvimentais que tero de ultrapassar, o modo e a intensidade com que os sentem varia de criana para criana, de acordo com a sua personalidade, a dos pais, entre outros factores. Com o crescimento e correspondente maturao cognitiva e emocional, a criana, com a colaborao dos pais, vai encontrando estratgias eficazes para lidar com os medos, pelo que, na sua maioria, acabam por desaparecer.

Nos primeiros tempos de vida duma criana, o seu medo est muito ligado ao receio de perda do seu cuidador, a sua figura de referncia (geralmente a me), denominando-se de medo ou ansiedade de separao. Por volta dos 7/8 meses de vida, os bebs adquirem a capacidade de distinguir os rostos familiares, em especial o da sua me, em contraste com os que desconhece. Surge aqui uma fase denominada de Angstia do Estranho, caracterizada pela manifestao, por parte da criana, de medo ou ansiedade perante a presena de estranhos, ou pessoas com quem tenha menos contacto. Nesta fase, as crianas ainda no adquiriram uma competncia, a da “permanncia do objecto”, que consiste no saber que, quando algo (ou algum) sai do seu campo de viso, pode voltar. Para o beb, quando tal acontece, ele sente medo por esse objecto deixar de existir.

A partir dos dois anos, frequente a criana comear a ter medo de ser abandonada pelos pais e, consequentemente, de qualquer separao que possa ocorrer. igualmente nesta fase que se verifica um aumento do medo dos animais, que costuma perdurar at por volta dos quatro anos.

A imaginao assume um papel preponderante nos medos das crianas e , com o aproximar dos trs anos (altura em que a imaginao se torna mais rica e atinge um maior grau de desenvolvimento) que potenciado o surgimento do medo do escuro, dos monstros, fantasmas, ladres, entre outros. Este um dos medos mais comuns entre as crianas, sendo transversal a vrias culturas e civilizaes. Geralmente surge entre o terceiro e o sexto ano de vida da criana, e habitualmente ultrapassado at entrada para a escola. Ocorre com especial incidncia na hora de dormir, momento em que a criana se sente “desprotegida”, pois confronta-se com a separao fsica dos pais, bem como com a segurana que esta presena lhe oferece.

Com o atingir dos seis anos de idade, a criana atinge uma fase de desenvolvimento que lhe permite encarar a morte como algo irreversvel, perdendo o seu lado fantasioso e assumindo uma vertente mais concreta, o que lhe provoca medo da sua prpria morte, bem como a das suas figuras de referncia. Verifica-se aqui uma transio do medo de separao para o medo de morte. A, apresenta uma associao de morte a coisas concretas, como a uma pessoa, a caixes, cemitrios, etc.

Paralelamente entrada para a escola, e ao longo do seu curso, surgem medos ligados a esta nova etapa da sua vida, bem como aos desafios a ela associados. O medo de se expor, ter de falar nas aulas, ir ao quadro, as histrias contadas de agresso dos mais velhos, entre outros, causam apreenso s crianas. Aqui os medos esto muito ligados identidade da criana, sua auto-estima e sentimentos de insegurana. Poder surgir o receio de ser diferente, ser gozado pelos outros.

Esta insegurana e medo assumem um papel marcante num espao como a escola, pois estes sentimentos podero transmitir criana a sensao de impotncia perante a resoluo de dificuldades que at pode percepcionar como no perigosas, mas que apenas no se sente capaz de as ultrapassar. Nestes casos, essencial que os pais e/ou educadores saibam escutar a criana, desmistificar esses sentimentos e, sobretudo, ouvi-las e ajud-las no sentido de encontrar estratgias eficazes para a resoluo dos seus medos.

Os Pais podem ajudar

impossvel os pais evitarem o sentimento de medo por parte dos seus filhos (o que tambm no seria salutar). Ao invs disso, podem ter um papel preponderante no auxlio da procura de estratgias que permitam criana lidar convenientemente com os obstculos com que confrontada e lhe permitam ultrapassar o medo.

Os pais ao se depararem com os medos dos seus filhos, naturalmente podem manifestar confuso e algum desconhecimento sobre a forma mais adequada para lidar com a situao. Antecedente procura de estratgias para ultrapassar esses medos, fundamental que os pais validem e respeitem os sentimentos dos filhos, e tal passa por nunca os ridicularizar ou desvalorizar. Os medos so fruto do processo de desenvolvimento da criana, o que acarreta novos desafios. So um factor positivo, e dessa forma que devero ser encarados, apesar do filho ainda no ter atingido um nvel de maturao que lhe permita enfrentar esse medo da forma mais eficaz.

O bem estar emocional da criana favorecido pela existncia de cumplicidade com os pais. A criana ao ter medo, enfrenta o anseio de no o conseguir ultrapassar, bem como o de ser a nica que passou por este sentimento. O acto dos pais relatarem criana que tambm eles passaram por situaes semelhantes, inclusive uma similar que o filho sente, f-las sentir apoiadas e aceites, transmite-lhes a possibilidade de vencerem os seus medos e serem “grandes e fortes” como os seus pais. Procure explorar com os seus filhos formas de resolver as situaes, podendo tambm dar exemplos de como conseguiu resolver os seus prprios medos.

A promoo do dilogo entre pais e filhos uma das melhores “ferramentas” que se pode transmitir aos filhos. Essa abertura ao dilogo, permite deixar uma “janela aberta”, o que facilitar criana a procura dos pais (ou outras figuras de referncia) quando se sentir ameaada, ou estiver a lidar com sentimentos perante os quais sente dificuldades em lidar. S o acto da criana falar e explicar os seus medos aos pais, serve de alvio e, alm de promover uma maior aproximao entre os pais e os filhos, um importante passo na procura conjunta de solues para os problemas.

Uma estratgia universal perante uma situao percepcionada como perigosa a fuga ou o evitamento. Torna-se importante a consciencializao que, s atravs do enfrentar dos desafios, que conseguimos ultrapass-los. Recorrendo aceitao e validao dos sentimentos dos filhos, cabe aos pais ajudarem a criana na procura da forma mais eficaz de resoluo do problema, ao invs da fuga, frequentemente a primeira resposta questo ansiognica. Os medos, sendo marcadores do desenvolvimento da criana, funcionam como tarefas desenvolvimentais, s quais cabe criana ultrapassar, resultando na promoo da autonomia da criana, no seu desenvolvimento emocional, que consequentemente se repercute ao nvel do seu auto-conceito. O enfrentar atempado dos medos evita que, a longo prazo, estes possam possuir uma dimenso patolgica resultante em fobias.


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