Archive for the ‘As nossas leituras’ Category


Como vemos a Infância?

Nov 11, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras

Referimo-nos à infância permite-nos dar resposta a algumas questões directamente relacionadas com a necessidade de ajudar a criança a ver-se como sujeito da sua própria aprendizagem.

Mas a que criança nos referimos? Será que todos nos baseamos num conceito de criança comum? Nas representações de cada um de nós, as crianças serão todas iguais? Se sim..em que aspectos? Se não… em que se diferenciam? E a escola, de um modo geral, a que crianças procura resposta? Será esta escola um espaço de respeito pelas diferenças ou de construção da homogeneidade?

Tanto quanto possível, é importante, através da reflexão crítica, pensar nestas questões e procurar dar-lhes resposta, analisando, em primeira instância, que respresentações sociais tem cada um de nós e, consequentemente, transmite às crianças em situações concretas da sua prática educativa. É imprescindível que a criança seja efectivamente uma criança real, a criança que, quotidianamente encontramos nos espaços educativos para assim podermos compreender as suas necessidades, interesses e identidade.

Dar-nos esta possibilidade implica rever a visão que temos sobre a infância e transformá-la num objecto de estudo e de reflexão constante.

Trata-se, acima de tudo, de pedir aos Educadores que formem adultos reflexivos, com capacidade para pensar antes de agir e realizar-se a si mesmos tendo como eixo valores que os levam a procurar uma sociedade melhor, pois aqui reside um dos mais profundos sentidos da profissão docente, da nossa profissão.

Os Brinquedos na Educação Pré-Escolar

Set 20, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras, Educação de Infância, Pais

A criança precisa de inovar e de criar. Não é necessário ter muitos brinquedos ao mesmo tempo. Ela pode mudar de um para o outro, insatisfeita diante de uma escolha tão grande.

A maneira de normal das crianças aprenderem é a brincar. Para elas, brincar e aprender não são actividades antagónicas, por isso, beneficiam se lhes forem proporcionadas situações de aprendizagem divertidas.

Uma criança muito pequena precisa de brinquedos que estimulem os cinco sentidos, os adequados para um bebé com menos de um ano são aqueles que lhes proporcionam a experiência de cores, texturas, materiais e formas interessantes e variadas. Os que fazem barulho e reagem a acções, como os guizos, dão-lhe uma sensação de controlo e estimulam o desenvolvimento das competências de manipulação e de coordenação.

O bebé tem necessidade de conhecer e sentir a consciência dos materiais, a forma e as cores diversas. O bebé deve ter muito tempo para essas explorações. Uma das formas de estimular o desenvolvimento do bebé é criar as condições para brincadeiras criativas num ambiente estimulante.
O melhor brinquedo para uma criança é aquele que a fascina eternamente e ao qual ela volta sempre, porque lhe oferece cada vez mais estimulo e divertimento. E quanto menos elaborado e mais básico for o brinquedo, mais possibilidades oferece à imaginação da criança.

É importante não ignorar que à medida que os bebés se desenvolvem, necessitam de estímulos diferentes e a escolha de brinquedos deve reflectir essas diferentes necessidades.

Fonte: Programação e planificação na creche 0-1 ano: Bola de Neve

Como será que a criança aprende?

Set 14, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras, Metodologias

A criança tem tudo a aprender. E o adulto está presente para a andaimar no seu processo de aprendizagem. Mas será que o adulto percebe que, tal como nós, a criança aprende aquilo que realmente é importante e relevante para si? A resposta e esta questão é-nos dada por Carl Rogers (cit por Norman Sprinthall e Richard Sprinthall, 1990, p. 321 e 322), que durante toda a sua carreira sublinhou a importância da qualidade das relações interpessoais e ressalva que a forma como nos relacionamos com os outros é central para o nosso desenvolvimento pessoal.

É essencial definir, desde já, que o importante não é saber o que nós, adultos, devemos ensinar às crianças, mas sim como elas aprendem, como se constrói a sua pessoa e o seu conhecimento do mundo.

Por outro lado, torna-se importante distinguir compreensão de aprendizagem. A primeira, significa “fazer a apreensão de”. A compreensão de algo é um processo quase imediato sendo apenas necessário comparar o que se apreende – o que se faz neste momento e o que se fez no momento anterior. Para além disso, para se compreender algo é necessário “estar interessado em”.

Os Livros e as Crianças

Ago 12, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras, Literatura Infantil

Quando estiver a ler um livro aos seus alunos, fale-lhe sobre o autor e o ilustrador da obra. Deixe que eles ganhem consciência do estilo do artista, através de alguns minutos de conversa sobre as imagens e as palavras do livro.

Peça à criança para descrever o livro por palavras suas.

As Recentes Notícias em Educação

Jul 23, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras, Educação

Eu sou uma profissional, tento ser justa mas não posso ser conivente. Existem situações com as quais eu não concordo nem nunca vou concordar, independentemente dos “ses”. Em Portugal transita-se uma criança com 9 negativas, ou seja nem numa área ela teve sucesso.

Expliquem-me como é possível? E há muito boa gente que por dificuldades económicas, sociais, fisícas, psicológicas, etc se vê retida com um número de negativas muito inferior. Que justiça é esta? E aqueles alunos que lutam para conseguir um curso superior, que os pais pagam com muito esforço explicações para entrarem no que tanto desejam?

Eu sou Educadora e luto não por direitos iguais mas por igualdade de oportunidades mas não é assim que se obtêm. Eu sei que vai haver muita gente a criticar-me mas é a minha opinião e vale como todas as vossas. Isto não é Educar! O que foi feito durante o ano para que o aluno tivesse melhores resultados? Será que só se lembraram dele no dia da avaliação final?

Enquanto Portugal tiver uma Ministra que seja contra “chumbar” este país não vai ter um futuro nada feliz. Estas crianças que hoje andam pelos bancos da escola, vão ser os nossos Engenheiros, Médicos, Advogados, Cozinheiros, Gestores, terão eles competências para tal?

A Educação é muito mais que um Magalhães, é muito mais que transitar ou não. De que nos serve ter uma uma população feliz com um Diploma na mão, se não está apto para exercer e esta condenada ao desemprego.

Não trabalhem para estatísticas, trabalhem para a realidade. Sejam exigentes porque isso não traumatiza nenhum aluno. A vida vai ser muito mais exigente com eles e não vai estar preocupada com os possíveis traumas.

Os professores têm medo de não transitar um aluno e transformam a Educação num facilitismo tal, que só prejudicam os alunos que nada aprendem nem o respeito por que tenta (mesmo em condições muitas vezes miseráveis) ENSINAR.

Ensinar e Aprender não são notas/avaliações, são esforços de professores e alunos, são vivências, são trocas, são partilhas, são uma infinidade de acontecimentos que os políticos não entendem.

São as pessoas que fazem a Educação e isso faz-se no terreno, não é só no papel, por pessoas que sabem muito pouco sobre Educação e têm pouco mais que a experiência pessoal ou a ideia remota do que foi a sua vida escolar. E são estas pessoas que decidem os destinos da Educação e os “disparates” que por cá se fazem. É no mínimo triste!

Para ver as notícias a que me refiro, na integra, pode encontra-las aqui e aqui.

Veja mais aqui e aqui.

Relação Escola/Família

Jul 9, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras

Importância do envolvimento parental
Abordagem sistémica da família

Um sistema é um conjunto de elementos inter-relacionados, pelo que muitas instituições se ajustam ao que pode denominar-se um sistema. Isso acontece no sistema educativo, onde um conjunto de elementos está em constante interacção (professores, alunos, currículo, conteúdos, materiais, …), e também na família. Em qualquer sistema, o todo é maior do que a soma das partes; a mudança é um elemento que afecta as outras partes do sistema; e as necessidades e objectivos das partes são precedidos pelos do sistema. Assim, as necessidades básicas de um sistema são adaptar-se, sobreviver e manter-se. Para conseguir este objectivo, o sistema actua e comporta-se de determinada maneira. Quando surge um conflito entre as necessidades de alguma parte do sistema ou do sistema em geral, este tenta regular e controlar o comportamento das componentes, de forma a assegurar a sua própria sobrevivência. O controlo do sistema é mantido pelas suas próprias estruturas e pelos princípios de comunicação e feed-back.

Os sistemas abertos consomem e libertam energia no ambiente, de tal forma que os elementos de um sistema aberto são afectados pelas mudanças noutros sistemas. A família e o próprio ser humano constituem sistemas abertos. O intercâmbio com o mundo e os outros proporcionam-lhes a energia necessária para a sua auto-regulação.

Cada família enquanto sistema é um todo, mas é também parte de sistemas, de contextos mais vastos nos quais se integra (comunidade, sociedade). Por outro lado, dentro da família existem outras totalidades mais pequenas que são, elas próprias, partes do grupo total: são os chamados subsistemas. Ou seja, não se podem considerar os indivíduos isolados, mas como seres ligados entre si. É neste âmbito que família e meio vivem interligados e não se podem conceber isoladamente. De igual forma, também a criança não pode ser indissociada do meio onde está inserida e da escola onde está integrada: criança/meio/escola são elementos que se interligam e se influenciam mutuamente.

É a partir do momento em que nasce uma criança que o casal (família) se abre ao meio. Quando esta criança entra na escola, essa abertura é ainda mais alargada. Assim, cada família tem características próprias e auto-organiza-se de acordo com as influências externas.

Modelo Ecológico do desenvolvimento humano (Bronfenbrenner)

Jul 7, 2009 Author: Raquel Martins | Filed under: As nossas leituras

O comportamento humano não pode ser interpretado à margem do contesto em que surge. A interacção entre pessoa e ambiente constitui o foco principal de atenção da psicologia da educação baseado no conceito interaccionista.

A perspectiva ecológica exige a análise dos contextos e das relações estabelecidas entre eles. Só assim é possível chegar a uma compreensão do funcionamento e desenvolvimento dos seres humanos.

Bronfenbrenner é o representante mais reconhecido da psicologia ecológica e, segundo ele, o contexto no qual as pessoas se desenvolvem é constituído por uma série de sistemas funcionais ou estruturas concêntricas e encaixadas umas nas outras. Com base na perspectiva ecológica, o conceito de contexto transcende a sua descrição. O que interessa é o contexto compreendido: a forma como o indivíduo compreende o contexto em que actua. Assim, podem distinguir-se as seguintes estruturas:

Microssistema: padrão de actividades, papéis e relações que a pessoa em desenvolvimento experimenta num determinado meio, com características físicas, materiais e particulares (ex.: a escola);

Mesossistema: compreende as inter-relações de dois ou mais meios nos quais a pessoa em desenvolvimento participa activamente (ex.: para uma criança são as relações entre a família, a escola e os amigos do bairro; para um adulto, seriam as relações entre a família, o trabalho e a vida social);

Exossistema: refere-se a um ou mais meios que não incluem a pessoa em desenvolvimento como participante activo, mas nos quais se produzem acontecimentos que afectam o que acontece à sua volta (ex.: o sistema económico e político relativamente à escola);

Macrossistema: refere-se às correspondências em forma e conteúdo dos sistemas de ordem menor que existam ou poderiam existir, ao nível da subcultura ou da cultura na sua totalidade, juntamente com qualquer sistema de crenças ou ideologia que sustente estas correspondências.

Da mesma forma, existem mudanças que se produzem nas pessoas como consequência de qualquer tipo de educação, a partir das quais é possível estabelecer três categorias:

1. educação formal ou educação regulamentada ou escolarização;

2. educação não formal é constituída por processos educativos específicos e diferenciados com uma finalidade clara e objectiva, mas situa-se “à margem” do sistema educativo (educação de adultos, formação ocupacional não regulamentada…);

3. educação informal é baseada em processos educativos indiferenciados, subordinados a outros objectivos e processos sociais, nos quais a função educativa não é a dominante (ex.: mass media)

Do ponto de vista educativo, o indivíduo, ao longo do ciclo vital, pode passar por uma série de contextos educativos: família, escolarização formal em todos os seus níveis, formação profissional e formação continuada, etc.

Assim, analisar um contexto significa fixar-se nas actividades, nos papéis e nas relações em que uma pessoa intervém.

Os “padrões de actividade” no sistema educativo incluem o comportamento verbal e não verbal dos professores e dos alunos. As actividades escolares são planificadas, intencionais e são direccionadas para provocar mudanças no comportamento dos alunos Podem variar quanto aos objectivos, complexidade estrutural, adequação às características, etc. segundo o modelo ecológico, a aquisição de novas capacidades depende, principalmente, do significado ou intenção que tenham para o sujeito as actividades nas quais está implicado, assim como a variedade e a complexidade estrutural de tais actividades.

No que diz respeito aos papéis, são vistos como expectativas de comportamento associadas à posição que uma pessoa ocupa. Isto implica certas previsões de comportamento. A sociedade tem distribuídos os comportamentos esperados do papel de aluno, de educador, de pai, etc. Uma mesma pessoa pode desempenhar diferentes papéis: pai, profissional, irmão, filho. O conceito de desempenho de papel implica que cada pessoa tem uma forma especial de o desempenhar.

As relações interpessoais são um ingrediente especial de qualquer microsssistema. No sistema educativo destacam-se três relações básicas: a interacção educador-aluno, a relação entre colegas e as relações família-escola.

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