Educao de Infancia


Como ser que a criana aprende?

Set 14, 2009 Autora: Raquel Martins | Colocado em: As nossas leituras, Metodologias

A criana tem tudo a aprender. E o adulto est presente para a andaimar no seu processo de aprendizagem. Mas ser que o adulto percebe que, tal como ns, a criana aprende aquilo que realmente importante e relevante para si? A resposta e esta questo -nos dada por Carl Rogers (cit por Norman Sprinthall e Richard Sprinthall, 1990, p. 321 e 322), que durante toda a sua carreira sublinhou a importncia da qualidade das relaes interpessoais e ressalva que a forma como nos relacionamos com os outros central para o nosso desenvolvimento pessoal.

essencial definir, desde j, que o importante no saber o que ns, adultos, devemos ensinar s crianas, mas sim como elas aprendem, como se constri a sua pessoa e o seu conhecimento do mundo.

Por outro lado, torna-se importante distinguir compreenso de aprendizagem. A primeira, significa fazer a apreenso de. A compreenso de algo um processo quase imediato sendo apenas necessrio comparar o que se apreende o que se faz neste momento e o que se fez no momento anterior. Para alm disso, para se compreender algo necessrio estar interessado em.

O Movimento da Escola Moderna

Ago 26, 2009 Autora: Raquel Martins | Colocado em: Instrumentos de Trabalho, Metodologias

Movimento da Escola Moderna

O movimento da escola moderna um modelo pedaggico que assenta numa prtica democrtica da gesto das actividades, dos materiais, do tempo e do espao e pretende, atravs da aco dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma vivncia democrtica e um desenvolvimento pessoal e social das crianas, garantindo a sua participao na gesto da vida da sala e da escola. Esta gesto apoiada por instrumentos de pilotagem, registo e avaliao, tais como: mapa de presenas, mapa de actividades, mapa de tarefas, comunicaes, plano semanal, lista de projectos e o dirio de parede. Este ltimo um instrumento mediador e operador da regulao social do grupo e interactiva que uma educao cooperada ou democrtica pressupe. No dirio escrevem-se as ocorrncias negativas e positivas do grupo, o no gostei e o que gostei, que queremos fazer e o que fizemos. No final da semana o dirio lido, conversado e reflectido em grupo e a partir daqui constroem-se por exemplo as regras de convivncia. No dia-a-dia da sala, temos momentos de reunio, adultos e crianas, volta da mesa em que planeamos o trabalho a ser realizado, em que partilhamos saberes, em que avaliamos trabalhos, tarefas e atitudes, em que comunicamos descobertas e aprendizagens.

O espao educativo est organizado por zonas de trabalho de modo a permitir que as crianas realizem actividades previamente escolhidas e por uma rea polivalente para trabalho colectivo. A escolha e realizao das actividades pressupe um compromisso e uma responsabilizao por parte delas. Os materiais encontram-se ao alcance e sua disposio para que elas possam estar nas zonas de trabalho sozinhas, em pares ou em pequeno grupo. Todo o espao da sala enriquecedor com as produes das crianas que retratam e do sentido vida do grupo, apoiam as aprendizagens, sugerem e provocam projectos. Um dos pontos importantes deste modelo pedaggico que uma aprendizagem curricular feita essencialmente atravs de Projectos. Estes projectos podem ser de produo: “queremos fazer”, de pesquisa: “queremos saber” ou de interveno:”queremos mudar”. O ponto de partida de um projecto dever ser os interesses das crianas e as interrogaes por elas levantadas. Deste modo pretende-se que as aprendizagens conseguidas sejam significativas e pertinentes. Estas aprendizagens realizam-se duas a duas ou em pequenos grupos. Assim, adquirem hbitos de questionamento e interveno de uma forma activa, problematizando a realidade: “porque no podemos gastar muita gua” , como que a gua chega s nossas casas?”.

Do desenvolvimento do projecto faz parte a consulta de livros e outras fontes de pesquisa, execuo das actividades, conversa e reflexo entre os membros do grupo de trabalho. A famlia tem um papel importante na concepo de um projecto, pois com certeza um dos recursos de informao.
Um dos princpios estratgicos da interveno educativa do MEM a partilha de saberes e de produes culturais das crianas atravs de “Comunicaes” como uma validao social do trabalho de produo e de aprendizagem. Isto quer dizer que sempre que um projecto termina existe um momento de comunicao ao grande grupo, e de seguida, um momento de reflexo de grande grupo sobre “o que que ns aprendemos com este projecto”.

As comunicaes permitem que a criana organize mentalmente as suas aprendizagens, de forma a preparar o seu discurso oral para comunicar.

A Educao de Infncia no apoia nem critca, qualquer Mtodo ou Metodologia, apenas limita-se a informar todos os Educadores da existncia dos mesmos e de algumas linhas orientadoras.

Currculo Hight/Scope

Mar 25, 2009 Autora: Raquel Martins | Colocado em: As nossas leituras, Metodologias

APLICAO DAS LINHAS ORIENTADORAS A REAS ESPECFICAS

As reas especficas num infantrio podero ser as seguintes: rea de refeies e de preparao de alimentos; rea de dormir, rea de higiene, espaos interiores destinados s brincadeiras das crianas pequenas (incluindo a rea de movimento, a rea de areia e gua, a rea dos livros, a rea das artes, a rea dos blocos, a casinha e a rea dos brinquedos), espaos exteriores destinados s brincadeiras das crianas pequenas.

rea de refeies e de preparao de alimentos
As necessidades nutricionais pessoais dos bebs devem ser satisfeitas num ambiente seguro e pacfico, em que a figura familiar que presta cuidados e carinhos desempenha um papel central.
Uma rea de refeies agradvel apoia a alimentao das crianas (que influencia o seu crescimento e desenvolvimento), a explorao da comida, a tentativa de comerem sozinhas e a socializao.
Num infantrio os bebs no comem necessariamente mesma hora nem na mesma zona das refeies.
Para os bebs mais novos tomar o bibero ocorre nos braos do educador responsvel, em qualquer stio que este par julgue ser um local calmo para se instalar.

Para os bebs que j se sentam e experimentam alimentos slidos, a refeio normalmente tem lugar no mesmo local, junto zona de preparao de alimentos. No incio, o beb que j se senta pode ficar ao colo do educador ou numa cadeirinha enquanto o educador lhe d a comida colher. Quando os bebs j conseguem sentar-se bem sozinhos e esto interessados em explorar a comida e a levar a colher boca, os educadores podem coloc-los em mesas muito baixas.
A rea de preparao de alimentos e de refeies deve ser equipada com um conjunto de biberes, babetes e toalhas, tendo sempre indicado o nome da criana a que estes objectos pertencem. Para as crianas que j no utilizam o bibero deve incluir uma mesa, pratos inquebrveis, colheres com cabo curto, tigelas e canecas com fundo pesado e bico para beber e tambm copos de plstico para as que j no bebem pelos de bico, suficientemente largos para estas poderem segurar com ambas as mos. Deve encontrar-se tambm, nesta zona guardanapos bibes e toalhas de mo para as crianas que dispensam a babete.

Esta rea deve dispor de um frigorfico; dispositivos para aquecer biberes; micro-ondas; lava-loia com gua quente; maquina de lavar loia e material para a limpeza.

Os bebs e crianas no tm todos os mesmos horrios alimentares, por isso, os educadores tm de arranjar estratgias para arrumar os materiais que precisam, de forma a minimizar o tempo em que se afastam das crianas. Assim, a utilizao de cestos ou grades para arrumar os materiais so uma grande ajuda para organizar armrios, gavetas, prateleiras e aparadores para que os educadores possam encontrar o mais rpido possvel aquilo que necessitam. Os materiais necessrios para s refeies, nomeadamente, talheres e pratos devem localizar-se o mais prximo possvel das mesas de refeies. Se os pais trouxerem lancheiras devem ser devidamente identificadas com o nome da criana.
Os produtos de limpeza devem ficar longe do alcance das crianas e tambm dos alimentos.

rea de dormir e de descanso
As crianas necessitam muito de dormir, contudo, essa necessidade varia muito de criana para criana e principalmente das crianas para os bebs, uma vez que os ltimos, dormem durante mais tempo. Assim, a creche precisa de dispensar um tempo para esta actividade e tambm um espao adequado. Este espao deve ser calmo e confortvel, para que as crianas possam descansar tranquilamente e sempre que desejarem.

Normalmente, os educadores disponibilizam uma sala especfica para o sono, isolada e acessvel. No entanto, quando o tempo o permite, a rea de dormir pode ser improvisada ao ar livre, debaixo de um toldo ou telheiro. Quando no possvel existir uma sala apenas para este efeito (dormir), a sesta pode ser feita num nicho ou recanto da sala principal, onde seja o mais sossegado possvel.

Por vezes, os pais podem desejar que as crianas durmam num outro stio ou que adormeam, por exemplo, ao colo da educadora ou onde estiverem quando adormecerem. Quando esta situao surgir importante que se encontre em conjunto a melhor soluo.

Nos infantrios em que crianas pequenas e bebs esto em espaos separados, a rea de brincar pode ser munida de catres e assim, por algumas horas transformar-se em rea de dormir. Contudo, era importante tentar que a rea de dormir estivesse afastada da rea de brincar, para que as crianas possam dormir sem serem incomodadas.

O equipamento para dormir e os materiais necessrios para cada criana inclui: uma alcofa ou bero; um colcho de tamanho adequado; roupa de cama e os objectos personalizados de conforto de casa (ursinho ou peluche, entre outros). Cada criana dorme num bero e todos os materiais que lhe pertence devem ser devidamente identificados com o seu nome para evitar proliferao de micrbios. Em determinada altura as crianas podem quer passar do bero para o catre. Todos os materiais utilizados neste devem ser tambm devidamente identificados.

Num armrio acessvel aos adultos na rea de dormir deve guardar a roupa de cama de cada criana, assim como objectos de conforto de cada criana. A roupa suja pode ser colocada num cesto junto da zona de mudar as fraldas ou junto mquina de lavar roupa.

Quando se utilizam os catres para dormir, estes devem ser empilhados junto com a roupa de cada criana, num local acessvel. A roupa deve ser colocada de forma a que a roupa de uma criana no entre em contacto com a de uma outra.

rea de higiene corporal

A rea de higiene corporal o espao em que se mudam as fraldas e se veste as crianas. Esta rea deve ser fcil de usar e de limpar, assim como ser suficientemente convidativa e interessante para que as crianas tenham vontade de l estar por algum tempo.

Esta rea deve estar necessariamente junto de um lavatrio e longe da rea reservada preparao de alimentos e refeies. tambm necessrio e indispensvel que esta rea esteja localizada num stio em que crianas e educador possam ver-se enquanto elas brincam e executam outras actividades e enquanto este cuida da higiene de outra criana. Por isso, deve estar junto a uma janela ou espelho.

A localizao das casas de banho das crianas deve ser junto rea de brincadeira, para permitir um acesso rpido, fcil e directo. Neste espao deve tambm incluir-se sanitas portteis ou cadeiras-bacio para as crianas utilizarem ao longo do dia.

Nesta rea fundamental que tenha um lavatrio e uma mesa de mudana de fraldas ou bancada de fraldas com cerca de 90cm de altura, com grades deslizantes de lado e que a mesa seja revestida com um tecido almofadado macio. Pode tambm colocar-se uma escada para que as crianas pequenas possam trepar ate mesa, o que permite tambm apoiar o seu desenvolvimento fsico.
Para esta rea necessrio um conjunto de fraldas limpas e de roupa de reserva; pomadas; alfinetes de ama e cuecas de plstico; toalhitas ou sabonete e esponjas de reserva para cada criana; desinfectantes e produtos de limpeza; rolo de papel largo, para cobrir a superfcie da mesa de mudar a fralda; luvas protectoras descartveis e caixotes do lixo com p. Pode-se incluir tambm caixotes de brinquedos para as crianas brincarem enquanto esto a mudar a fralda.
A casa de banho das crianas deve incluir sanitas dimensionadas para as crianas, assim como lavatrios baixos ou escadas estveis que permitam que as crianas cheguem aos lavatrios e abram a torneira. O rolo de papel deve estar ao alcance das crianas ou as toalhas de mo devem ser penduradas em toalheiros baixos com a fotografia de cada uma para saberem qual a sua. Deve tambm ter um espelho para que as crianas se possam ver enquanto se lavam.
Tudo o que pertence criana deve ser sempre identificado com o nome bem legvel. As suas coisas devem ser guardadas em armrios ou prateleiras de fcil acesso para os educadores. As cuecas descartveis e roupa das crianas mais velhas podem ser guardados nos seus armrios individuais para estas poderem ir buscar sozinhas. Todos os produtos de limpeza, como por exemplo, os sabonetes devem estar fora do alcance das crianas.

Espaos para os bebs brincarem

Os espaos destinados s brincadeiras dos bebs, que normalmente o cho, deve ser um local onde estes se possam mexer e movimentar-se, deve ser propcio explorao do ambiente fsico e social.
Este local pode ser localizado em qualquer zona da sala, desde que esteja separado da rea de preparao de alimentos e refeies, da rea de dormir e da rea da higiene corporal. Esta deve estar fora do circuito de maior afluncia de pessoas e ser suficientemente grande para os bebes se mexerem, deitarem, rastejarem, gatinharem, entre outras coisas.

– Espaos seguros para as crianas que ainda no se deslocam. Estas crianas podem brincar numa plataforma alcatifada ou colcho coberto encostado a paredes ou numa manta, cobertor ou edredo. Durante o dia, esta manta ou outra coisa pode mudar de localizao para que os bebs possam ter uma variedade de vistas e perspectivas.

– Espaos seguros para bebs que se deslocam. Estas crianas podem comear tambm numa manta ou plataforma desnivelada baixa e posteriormente deslocar-se para o sof, janela ou mesmo ir ao encontro de um objecto que lhe chamou ateno. O mais importante que seja um local seguro, livre de potenciais acidentes.

Como as crianas esto em constantes aprendizagens importante ter uma variedade de materiais com que possam contactar. Assim, importante ter coisas que lembrem o lar, como fotografias da famlia, entre outras coisas; materiais que apelem aos sentidos, nomeadamente, objectos com muitas cores, texturas, tamanhos, formas, com som, etc., fundamentalmente que sejam seguros e adequados s idades das crianas e materiais que encorajem o movimento, pois as crianas esto sempre em constante movimento (elas gatinham, trepam), o que muito importante para o seu desenvolvimento fsico.
Assim, estas precisam de materiais que as incentive ao movimento, o que o caso das bolas (de todos os tamanhos, cores e texturas), pois estas esto sempre prontas a entrarem em aco e os bebs que j se deslocam adoram gatinhar ou andar atrs delas. Outro exemplo so os veculos e animais de rodas que satisfazem os bebs que se sentam, assim como aqueles que gostam de os empurrar. Os espelhos so tambm importantes, porque os bebs gostam de se ver reflectidos e de se verem a mexer. Bonecos de pano; animais de peluche; livros de pano e de carto; portas e caixas com dobradias; blocos leves e recipientes abertos so tambm exemplos de materiais que os bebs e crianas pequenas gostam de brincar e explorar.
Num contexto de aprendizagem activa, os materiais utilizados nas brincadeiras das crianas so arrumados para que as crianas os possam utilizar sempre que desejarem. Os brinquedos e materiais para utilizao das crianas so guardados em cestos ou sacos e baldes para que rapidamente se possa dar materiais sensorialmente apelativos aos bebs que esto deitados ou sentadas. Para as restantes crianas, os materiais podem ser colocados em estantes baixas para fcil utilizao.

medida que as crianas comeam a mandar o seu mundo alargasse. J no esto limitadas a um s stio, mas sim a vrios, porque j se podem deslocar e explorar novos cantos da sala. Agora que j conseguem, paras crianas tudo alvo de explorao e por isso precisam de espaos amplos para se movimentarem e materiais adequados ao seu nvel de desenvolvimento. Caso partilhem o espao com os bebs as crianas pequenas necessitam de espaos para partilharem brincadeiras e de espaos prprios, onde possam efectuar actividades especficas da sua idade.
Os educadores tm a preocupao de criar espaos especficos para as brincadeiras das crianas, que encorajem o movimento e a explorao, para que estas ganhem interesse pelo mundo fsico e tambm social e o crescente sentido de si prprios como seres competentes e capazes.

rea de movimento para crianas
A rea de movimento deve ser um local seguro, acessvel e aberto para que as crianas possam movimentar-se sem estarem a ser incomodadas e a tropear em pessoas e objectos. Deve ser tambm um espao grande para que possam andar, empurrar objectos, correr, gatinhar, trepar

Esta deve ficar localizada no centro da sala, ao nvel do cho, de modo a que possam circular vindas de outras actividades. Afinal de contas para as crianas pequenas, o tempo de movimento todo o tempo.

Esta pode estar numa outra zona, desde que esteja directamente aberta para o resto do espao de brincar.

Em primeiro lugar as crianas necessitam de espao para andar e correr, assim como de coisas para treparem. As crianas precisam de objectos do cimo dos quais possam saltar; coisas nas quais possam entrar; bolas para empurrar; brinquedos com rodas para puxar e para andar; brinquedos para baloiar e escorregas. Uma infinidade de coisas que proporcionem movimento e stios onde possam mexer-se vontade. As crianas pequenas necessitam tambm de instrumentos musicais de qualidade para poderem brincar e tambm msica gravada para movimentar o corpo.

Os brinquedos para andar e empurrar devem ser estacionados num local predeterminado junto de uma plataforma desnivelada ou, por exemplo, junto a uma parede. Os instrumentos musicais devem ser guardados em estantes baixas; caixas ou cestos abertos.

A rea de areia e gua
A gua e a areia do s crianas uma grande possibilidade de experincias (chapinhar, atirar, ter um contacto directo com a textura da areia e com a gua) as quais so amplamente incentivadas pelos educadores.
Esta rea dever encontrar-se junto do lavatrio e onde o pavimento seja de limpeza fcil.
A rea de areia e gua dever centrar-se numa mesa ou numa banheira. Ser necessrio o uso de recipientes, objectos para boiar,… Para acompanhar a brincadeira de encher/esvaziar, esconder/procurar,…
Todos os objectos utilizados na brincadeira tero que ser arrumados num local acessvel para as crianas, para que possam ver, escolher, utilizar para a brincadeira.

A rea dos livros
Este espao ser acolhedor, onde se possa encontrar grande riqueza e variedade de livros, para que as crianas possam desfrutar deles, manusear, andar com eles de um lado para o outro. Esta prtica mostra-se muito proveitosa para a aprendizagem da leitura, nos primeiros anos de escolaridade. Estudos demonstram que os melhores leitores so aqueles cujos pais leram em voz alta, quando ainda crianas.

Esta rea dever situar num local sossegado, onde no haja perturbao na leitura das crianas. Os livros podero ser levados para outras reas por parte das crianas.

Ter que ser um local agradvel, acolhedor, com almofadas, mantas, colches, cadeiras ou um sof. Os educadores deveram preocupar-se em manter sempre uma grande variedade de livros disponveis para as crianas. Os livros utilizados deveram ser de carto, com desenhos/fotografias de qualidade (trata-se de um factor muito importante a ter em conta na escolha dos livros). Seria interessante incluir nesta zona um lbum com fotografias das crianas.
Ser necessrio que os livros se encontram nas estantes, com fcil acesso para as crianas e a capa seja visvel.

A rea das artes
Nesta rea a criana tem a possibilidade de mexer, manipular, explorar, espalhar os materiais bsicos da expresso artstica, isto , fornecem-lhes uma srie de experincias sensrio-motoras. Fazerem descobertas com a tinta, papel, plasticina, entre outras, d uma srie de conhecimentos, que podero ser utilizado a seu favor, materializando as suas ideias.

A funo do educador nesta rea de fornecer criana a possibilidade de explorar os materiais, como bem entenderem.
Esta rea dever localizar-se perto de um lava-loia ou de uma casa-de-banho e estar revestida com material que possa ser lavvel.

O uso de aventais indispensvel, bem como uma mesa, para que as crianas possam trabalhar. Os educadores devem fornecerem uma srie de materiais de base para a criao artstica.

As crianas tero que ter um contacto com materiais de pintura de forma a poderem explorar as cores, com as mos, ou no. As folhas para pintarem tero que ser grandes e brancas, pois assim podero ter movimentos mais largos e podero visualizar a cor que esto a utilizar. Para alm de servir como uma base para a pintura, poder ser utilizado para outras experincias, como amarrotar, rasgar, etc. indispensvel oferecer uma grande variedade de cores e um balde ou uma caixa para transportar o material. A plasticina e o barro tambm devero fazer parte do material disponvel para as crianas.

O material dever estar arrumado em armrio, ou gavetas estando, ou no, acessvel s crianas, conforme se trata de material para o uso dirio, ou no. Os educadores podero utilizar etiquetas para que as crianas possam saber de que material se trata.

A rea dos blocos
A rea de blocos permite que a criana possa manipular, construir, mexer com formas bsicas. Estas construes criam nelas o sentido de relaes espaciais, numa brincadeira que envolve todo o seu corpo.
Ter que se situar longe da rea que necessitam de silncio, num local que lhe permite espalhar os blocos.

Os blocos tero que ser grandes, leves, construdos de plsticos, de espuma, ou de madeira. Os blocos podero se fazer acompanhar de bonecos e carros.
Poderemos e

ncontr-los em estantes de fcil alcance para as crianas ou junto parede. Quanto aos blocos mais pequenos devem estar guardados em cestos.

A rea da casinha das bonecas

Nesta zona as crianas podem brincar ao faz-de-conta, com bonecas, utenslios para a cozinha e muito mais. Trata-se de uma brincadeira que envolve a observao e imitao.
A rea da casinha dever estar num canto, onde haja espao, ou ento debaixo de uma plataforma desnivelada.
No seu preenchimento devem fazer parte material que possa servir s crianas na sua brincadeira de faz-de-conta e imitao, como bonecas, acompanhadas de acessrios, utenslios para a cozinha e moblia, sofs, armrios, isto , materiais de uso domstico. Todos estes objectos devem ter caractersticas tendo em conta a idade da criana, isto , bonecas com o corpo mvel, roupas fceis de vestir, etc. Podem participar assim numa brincadeira de encher e esvaziar, juntar e separar,…
O material dever ser guardado em locais de fcil acesso para as crianas, como armrios, prateleiras, onde podero ser colocados etiquetas para a fcil identificao dos objectos, por parte das crianas.

A rea de jogos
Trata-se de uma rea onde dada criana a possibilidade de encaixar, retirar, juntar, desmontar objectos, jogos. Podero levar objectos desta rea para outras. Como uma zona calma poder se situar junto a rea dos livros.
Esta rea ser preenchida com puzzles e brinquedos de encaixar, separar, encher, esvaziar, etc., cubos, carrinhos, figuras, onde a criana possa brincar ao faz-de-conta. Podero fazer parte desta rea utenslios domsticos ou naturais.

Todos estes brinquedos devero ser de fcil acesso para as crianas, em cestos, prateleiras, identificadas com etiquetas.


Uma partilha da colega Juana, muito obrigada

O processo de planear – fazer – rever

Mar 9, 2009 Autora: Raquel Martins | Colocado em: As nossas leituras, Metodologias

O processo de planear – fazer – rever trata-se de um bloco de tempo divido em trs fases, que visto como a pea central da aprendizagem pela aco da High/Scope e, como o segmento mais longo do dia da rotina diria da High/Scope.

Est criado de forma a fortalecer os interesses naturais das crianas, a sua capacidade de autonomia e as suas competncias de resoluo de problemas.

No contexto educativo High/Scope as crianas planeiam todos os dias o que pretendem fazer, juntamente com o adulto.

Processo de Planeamento:
As crianas expem um problema ou objectivo, com base nos seus prprios interesses.
Projectam, imaginam qualquer coisa que ainda no aconteceu, comeando a aperceber-se de que algumas das suas prprias aces podem fazer com que essa coisa acontea
Planear estimula as crianas a estruturarem as suas ideias, escolhas e decises.
Ajuda s crianas a associar detalhes s imagens mentais que esto a formar sobre aquilo que esto prestes a realizar
Fomenta a autoconfiana, bem como, o sentido de controlo das crianas

Como podem os adultos apoiar a aco de planeamento das crianas:

O tempo de planeamento um tempo breve que pressupes trocas agradveis entre o adulto e cada criana. Os adultos devem conduzir o planeamento atravs de estratgias que envolvam as crianas e as encorajem a fazer os seus planos de forma completa .

Para apoiarem o planeamento das crianas os adultos podem utilizar cinco estratgias:

Os adultos examinam as suas crenas acerca do planeamento e dos seus estilos de interaco pessoal.
Para o apoio ser eficaz, os adultos devem estar conscientes das suas atitudes em todo este processo que o planear.

Os adultos planeiam com as crianas num ambiente de -vontade e proximidade.
Planeie num local em que possam ocorrer conversas pessoais, prximas e intimas.
Planeie em locais onde as pessoas e os materiais estejam visveis.
Planeie num par ou grupo estvel.
Os adultos do materiais e experincias para manter o interesse das crianas durante o perodo dedicado ao planeamento.
Providencie jogos e experincias especiais.
As crianas tomam em mos o controlo.
Os adultos conversam com cada criana individualmente acerca dos seus planos.
Os adultos estimulam e desencadeiam os planos das crianas colocando-lhes perguntas iniciadas com O que.
Os adultos conversam com as crianas sobre as preocupaes que podem estar a impedir o planeamento.
Os adultos estimulam o surgimento dos planos das crianas atravs da histria conversada.
Os adultos ouvem com ateno as respostas das crianas.
Os adultos conversam num formato de falar vez com as crianas que planeiam de forma vaga e no verbal.
Comear por colocar uma pergunta aberta; interpretar gestos e aces; narrar aquilo que v e comentar sobre aquilo que a criana diz; oferecer alternativas quando a criana no responde.
Os adultos conversam com as crianas que ao fazerem os seus planos utilizam formas metdicas ou elaboradas.
Conversar sobre espao e materiais; falar de detalhes; falar de sequencia; lembrar as crianas do trabalho feito anteriormente e de alguma forma relacionado.
Os adultos encorajam as crianas a planear juntas.
Os adultos valorizam os planos das crianas.
Encorajar as ideias das crianas em vez de as elogiar; tomar nota dos planos das crianas.
Os adultos estabelecem relao entre os planos e as aces das crianas.
Os adultos antecipam mudanas no planeamento das crianas ao longo do tempo.
Comeando o processo de planeamento; planear aps dois meses de experincia; planear aps cinco ou seis meses de experincia; o planeamento uma aco de cooperao entre a criana e o adulto; o planeamento apenas um comeo.

Tempo de Trabalho:
O tempo de trabalho sucede-se ao tempo de planeamento e precede o tempo de reviso, integrando-se, por isso, no ciclo planear fazer rever.

Neste momento da Rotina as crianas realizam os seus planos e intenes; brincam (sozinhas, ou em grupo); resolvem problemas (quando as suas intenes no acontecem como planearam) e envolvem-se em experincias-chave.

Correspondendo ao tempo de fazer, este momento permite ainda que as crianas usufruam de espao para fazerem escolhas, seleccionar os materiais e alterarem os seus planos, se descobrirem novos interesses.
Apesar de intencional, o tempo de trabalho tambm ldico, destinado brincadeira (embora uma brincadeira com uma direco consciente o plano).

As crianas durante o tempo de trabalho realizam diversos tipos de brincadeiras: brincadeira exploratria; construtiva; faz-de-conta e jogos.
Este elemento da rotina procura fomentar a necessidade de explorao e experimentao da criana, possibilitando que esta invente/crie e faa de conta, que brinque e que construa o seu prprio conhecimento do mundo.

O tempo de trabalho um momento ptimo para as crianas conversarem umas com as outras e tambm com os adultos.

Como os adultos apoiam as crianas no Tempo de Trabalho:
Os adultos, no tempo de fazer, devem observar as crianas, apoiar e envolver-se nas suas brincadeiras. S assim tm a possibilidade de detectar os desejos, necessidades e interesses que as crianas transmitem. No tempo de trabalho o adulto interage com as crianas no sentido de apoiar e encorajar o seu desenvolvimento.

Estratgias:

Os adultos proporcionam locais para as crianas trabalharem, atravs da organizao de reas de interesse, com um espao e localizao adequadas, apetrechadas de materiais diversificados e atraentes para as crianas;

Os adultos observam o estado dos planos das crianas e as situaes de brincadeira, para entenderem se a criana est a necessitar de apoio;

Observa o tipo de interaces que a criana realiza (se brinca muito sozinha ou em grupo); o tipo de brincadeiras e tenta aperceber-se de situaes em que a criana se envolve em alguma experincia-chave;
Deve observar as crianas na perspectiva das mesmas. Isto , interagindo ao seu nvel fsico, de forma a estar mais disponvel;

O educador proporciona contacto fsico securizante e reconhece os esforos das crianas;

Participa nas brincadeiras das crianas, como indicao de que valoriza e apoia as sua aces, mas procura aberturas naturais, colocando-se ao seu nvel fsico;

Brinca em paralelo com as crianas e quando participa activamente nas brincadeiras, tenta adoptar um papel de seguidor, companheiro e no condutor/instrutor, aceitando, por isso, todas as regras e opinies das crianas, recebendo as suas ordens.
Envia umas crianas s outras de forma a apoiar e expandir as brincadeiras; o prprio educador pode ser impulsionador nesse sentido, quando sugere novas ideias em situaes ldicas.

Em episdios ldicos, fundamentalmente, os de faz de conta, o educador deve: dar ideias que se encontrem dentro do tema; dirigir-se criana tendo em conta o papel que esta desempenha; aceitar a reaco da criana face sua sugesto.
Os adultos conversam com as crianas sobre o que esto a fazer, ouvindo com pacincia e entusiasmo o que elas querem dizer, sem deter o controlo da conversa. Para isso, deve fazer breves comentrios e ter em ateno as questes que coloca, que podem anular a conversa.

Os adultos devem colocar questes tendo em conta os seguintes aspectos: economia (com moderao); estar relacionada com o que a criana est a fazer.

O adultos encorajam as crianas a resolver problemas.

Ao longo do dia, as crianas mais novas vo-se deparando com problemas de carcter fsico e conflitos fsicos. Os adultos que acreditam na filosofia High/Scope procuram incentivar as crianas, no sentido de encontrar respostas para os seus prprios problemas, em vez de recorrerem sua ajuda ou de desistir devido frustrao.
Procure crianas envolvidas em situaes problemticas. possvel que surjam problemas em qualquer tipo de brincadeira das crianas. Por isso, essencial que o adulto esteja atento realidade que o circunda, de modo a auxiliar as crianas que necessitem de ajuda.

Permita s crianas lidar com problemas e com perspectivas conflituosas. As crianas so capazes, por natureza, de formular e resolver problemas sozinhas. Assim, o adulto no pode cair na tentao de intervir, precocemente, nas tentativas de resoluo dos problemas.
Os adultos examinam as suas prprias interaces com as crianas enquanto interagem.

Os adultos registam todas as observaes que fazem das crianas.

Os adultos fazem chegar ao fim o tempo de trabalho. O momento da arrumao dos brinquedos e dos materiais constitui uma fase de transio entre o tempo de trabalho e o tempo de reviso. Regra geral, os adultos avisam com alguns minutos antecedncia que o tempo de trabalho est a chegar ao fim.
O tempo de limpeza , contrariamente ao que se pensa, um tempo rico no que diz respeito a experincias reais e resoluo de problemas.

Com trmino do tempo de trabalho, as crianas vo-se deparando com vrios problemas, que no sabem muito bem como lidar. Por exemplo: no sabem como continuar uma brincadeira que ainda no chegou ao final. O final do tempo de trabalho constitui uma excelente oportunidade para as crianas tentarem descobrir por elas mesmas, ou com o apoio do adulto, a soluo para estes problemas.


Tempo de Reviso:

O tempo de reviso encerra em si aspectos e processos essenciais como a reflexo, o dilogo, a memria, a associao (de planos e resultados) e a demonstrao do trabalho que as crianas realizam durante o tempo de trabalho. O processo de reviso pretende dar sentido s aces que as crianas levam a cabo.
Relembrar e reflectir sobre aces e experincias: O processo de reviso no deve ser meramente perspectivado como uma lembrana directa daquilo que a criana vivenciou, mas tambm um processo dinmico de construo de histrias, onde as crianas fazem uma seleco e abordam as partes das experincias que lhes so mais significativas e, na sua opinio, tm interesse falar.

Associar planos, aces e resultados: No tempo de reviso, as crianas recordam as experincias que viveram no tempo de trabalho. A pouco e pouco passam a interligar o que fizeram com os planos que delimitaram antes de trabalharem.

Formar imagens mentais e depois falar sobre elas: As crianas do pr-escolar so capazes de formar imagens e smbolos mentais. Este facto permite-lhes usarem, tanto a linguagem como o movimento, para recordar, imaginar, falar sobre e descrever as pessoas e os objectos, de modo que os outros a possam compreender.

Expandir a conscincia para alm do presente.

O QUE FAZEM AS CRIANAS DURANTE A REVISO E REFLEXO?

Cada criana nica e como tal tem uma diferente forma de relembrar e rever. Os adultos devem conhecer ao mximo as caractersticas individuais das suas crianas para entenderem e saberem o que podem esperar das conversas de reviso e reflexo.

As crianas vo desenvolvendo as suas capacidades de recontar acontecimentos passados.
As crianas escolhem as experincias que querem recordar. O recordar uma experincia selectiva. Aquilo que marcante/significativo para o adulto durante o tempo de trabalho pode ser ou no aquilo que importante para a criana.
As crianas constroem a sua compreenso pessoal daquilo que acabaram de fazer. medida que a criana adquire maior compreenso da experincia, vai ganhando mais capacidade para construir memrias mais prximas da realidade.

As crianas relembram as experincias de inmeras formas. Geralmente, o processo de reviso passa pela verbalizao. Contudo, as crianas mais pequenas usam tambm movimento, gestos, teatralizaes, desenhos e relatos escritos para descrever as experincias que vivenciaram no tempo de trabalho
Os adultos examinam as suas crenas sobre a forma como as crianas aprendem no tempo de reviso e reflexo.

Os adultos e as crianas pem em prtica a reviso num ambiente calmo e acolhedor. As experincias do tempo de reviso tornam-se mais eficazes quando se realizam em espaos sossegados e acolhedores e em pequenos grupos sob a orientao de um adulto que partilha a liderana com as crianas.
Reveja com aqueles que partilharam as experincias que as crianas esto a relatar.

Os adultos do s crianas materiais e proporcionam experincias para as manter interessadas durante o tempo de reviso. Quando o educador faz a reviso com um grupo com mais de trs ou quatro elementos pertinente que ele proporcione s mesmas materiais que estas possam utilizar, enquanto os colegas esto a relatar as suas memrias ou proporcionar jogos que aumentem a ateno e interesse das crianas durante o processo de reviso.
Os adultos conversam sobre as suas experincias durante o tempo de trabalho. Aps ter fornecido materiais e jogos ao seu grupo de reviso, o adulto deve focar a sua ateno na narrao individual de cada criana sobre aquilo que fez e na reflexo sobre alguns aspectos que as crianas j fizeram.
Os adultos tm uma abordagem sem pressas do perodo de reviso;

Os adultos convidam as crianas a falar daquilo que fizeram;

Os adultos observam e ouvem atentamente as crianas;

Os adultos contribuem com observaes e comentrios para manterem vivas as narrativas de reviso das crianas;

Os adultos apenas utilizam as questes de forma comedida;

Os adultos apoiam as co-narrativas das crianas, bem como os pontos de vista conflituosos que apresentam;

Os adultos reconhecem (em vez de elogiarem) as experincias do tempo de trabalho vividas pelas crianas;

Os adultos identificam as conexes entre os planos e as narrativas de reviso das crianas;
Os adultos antecipam mudanas na forma como as crianas realizam a reviso ao longo do tempo.

graas ao incentivo da experincia diria que a capacidade de recordar se torna cada vez maior e mais pormenorizada; que as crianas relatam histrias mais longas; participam na narrativa de outros colegas; estas se tornam mais conscientes no estabelecimento ligao entre o seu trabalho e o que os outros realizaram; tentam antecipar como que as actividades que realizaram naquele dia se podero estender ao dia seguinte.

Este site no apoia nem critica nenhum Modelo ou Tcnica de Ensino.

(uma partilha da colega Juana)


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